Durante mais de quatro séculos, foi aqui que a corte espanhola fugia ao calor de Madrid. Situado na confluência dos rios Tejo e Jarama, o Palácio Real de Aranjuez foi concebido como uma residência primaveril — um lugar de fontes, avenidas arborizadas e passeios frescos à beira-rio, desenhado para rivalizar com Versalhes. Iniciado a sério por Filipe II em 1561 e remodelado pelos reis Bourbon na obra-prima rococó que hoje vê, continua a ser um dos locais reais mais elegantes de Espanha.
No interior, uma sequência de salões de estado desenrola-se numa intimidade dourada de joia: a Sala do Trono onde Carlos IV abdicou em 1808, a deslumbrante Sala de Porcelana revestida do chão ao teto em cerâmica vidrada, e o Gabinete Árabe inspirado na Alhambra. Cada salão combina seda, espelho e lustre no gosto inconfundível da corte do século XVIII — um contraponto mais delicado e doméstico aos grandes palácios da capital.
Para além das muralhas, estendem-se os jardins que tornaram Aranjuez famosa. O Jardim da Ilha, aninhado num meandro do rio, esconde fontes sombreadas e estatuária entre plátanos centenários, enquanto o Parterre formal se estende em simetria aparada diante da fachada. Mais além, situam-se o Jardim do Príncipe e a neoclássica Casa del Labrador, um luxuoso pavilhão de lazer construído para Carlos IV. Toda a paisagem cultural foi inscrita pela UNESCO em 2001 pela forma como entrelaça natureza, água e design real numa única composição.
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